resnais.

A Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, apresenta ao longo do mês de Outubro uma homenagem ao cineasta francês Alain Resnais:

Aimer, boire et chanter (Antestreias)
Vous n’avez encore rien vu (Antestreias)
Hiroshima mon amour
L’année dernière à marienbad
Muriel ou le temps d’un retour
Guernica (curta-metragem)
Les statues meurent aussi (curta-metragem)
Nuit et brouillard (curta-metragem)
Stavisky
Providence
Mon oncle d’amerique
Melo
I want to go home
Coeurs
On connait la chanson
Smoking
No smoking
Les herbes folles

Ver o programa completo

Biografia ALAIN RESNAIS

Alain Resnais nasceu a 3 de Junho de 1922, em Vannes.
Nascido no seio de uma família culta, ele é sensibilizado, desde muito cedo, para todas as formas de arte. Aos 12 anos ofereceram-lhe uma Kodak 8mm, com ela fazia curtas-metragens amadoras. Para além do cinema, ele apaixona-se também pela fotografia, pela pintura, pela BD e pela literatura, as obras de John Ray, Marcel Proust e André Breton tocam-no muito particularmente.

O seu desejo primeiro era o de ser actor e mudou-se para Paris em 1939, onde se tornou assistente de George Pitoëff no Théâtre des Mathurin, frequentou o Cours Simon e conseguiu um pequeno papel emLes Visiteurs du soir”. Em seguida, concorreu ao IDHEC (Instituto de Altos Estudos cinematográficos que em 1988 se tornou Fémis) e em 1943 foi admitido para a seção de montagem.
A sua carreira de realizador começou com Van Gogh em 1948, uma curta-metragem documentário premiada na Bienal de Veneza e nos Óscares. Durante uma dezena de anos dedicou-se ao documentário. Os temas são variados: a Guerra Civil de Espanha vista por Picasso em Guernica (1950), ou l’Usine Pechiney. Em Junho de 1954 foi-lhe atribuído o Prémio Pulitzer.

Contemporâneo da “Nouvelle Vague”, Alain Resnais rapidamente se liga ao muito engajado grupo da “Rive gauche” e trabalhou com Chris Marker e Agnes Varda. Em 1956 ele ganhou o Prémio Jean Vigo com “Nuit et Brouillard”, filme de referência sobre os campos de extermínio.
Estreado em 1959,” Hiroshima mon amour”, foi o primeiro filme de longa-metragem e tornou-se outra obra-chave do cinema francês, pela ousadia do seu tema, os traumas da Segunda Guerra Mundial evocados através de uma história de amor, e a modernidade da sua narrativa. Uma preocupação social e política e um gosto pela história estão bem patentes nos dois filmes seguintes com Delphine Seyrig, o obscuro L’Année em Marienbad (Leão de Ouro em Veneza 1961) e Muriel (1964), sobre os fantasmas de Guerra na Argélia, ou posteriormente Providence (1977). Para além da sua preocupação com a forma, Resnais é também um comprometido política e socialmente: ele faz de Montand um militante anti-franquista em La Guerre est finie (Louis-Delluc 1966), participa no filme coletivo Loin du Vietnam, e adere ao manifesto utópico L’An 01.
Em 1968, fez uma incursão na ficção científica com Je t’aime, je t’aime, escrito por Jacques Sternberg. Alain Resnais realiza um filme de grande modernidade.

Stavisky em 1974, retorna a um dos maiores escândalos financeiros da Terceira República. Optando por um cinema mais comercial e escolhendo uma vedeta popular (Jean-Paul Belmondo), continua no entanto as suas pesquisas artísticas e a reflexão sobre a história.
A partir dos anos 80, Resnais recorre a um trio de atores virtuosos, e oferece-lhes, ao longo dos anos, papéis subtis e variados: Dussollier, Pierre Arditi e, claro, a sua musa Sabine Azéma,a sua atriz favorita e a sua companheira desde La vie est un roman, com quem se casou em 1998.
O amor de Resnais pelos seus atores atinge o seu auge em Smoking-No Smoking, Arditi e Azéma interpretam sózinhos onze personagens neste díptico, César de Melhor Filme em 1993.
Em 1986, ele revisita o teatro de revista (Mélo, 1986), interessa-se pela BD (I Want to Go Home), oferece às variedades o seu pedigree (On connait la chanson, seu maior sucesso em 1997), assina uma opereta (Pas sur la bouche). Filme-puzzle ritmado pelas intervenções de Henri Laborit, Mon oncle d’Amérique (premiado no Festival de Cannes em 1980) ilustra na perfeição o carácter ao mesmo tempo lúdico e cerebral do seu cinema, virado para horizontes tão ecléticos quanto variados.


Na década de 90 de autores grande público como o casal Bacri -Jaoui e depois Jean-Michel Ribes para Coeurs. Mais abordáveis e menos herméticos, os seus filmes tomam então uma direcção menos abstracta. Três anos mais tarde, por ocasião da apresentação de Herbes folles, Alain Resnais recebe em Cannes um Prémio excepcional pelo conjunto da sua obra. A paixão pelos seus atores favoritos de sempre permanece e continua a surpreender com, e ainda muitas surpresas com Vous n’avez encore rien vu que apresentamos em antestreia em Portugal, na Cinemateca Portuguesa, nesta 15ª Festa do Cinema Francês.

Alain Resnais morre a 1 de Março de 2014, com a idade de 91 anos, 25 dias antes da estreia nas salas de cinema francesas do seu 19º filme e última curta-metragem, Aimer, boire et chanter, também agora apresentada em antestreia em Portugal na 15ª Festa do Cinema Francês. Resnais tinha recebido em Feveriro a Prémio Alfred Bauer - que premeia um filme que abre novas perspectivas - no Festival de Berlim.
A sua longevidade, elegância, discrição, cabeleira branca impecável que ostentou durante tanto tempo que tínhamos acabado por esquecer que ele já tinha sido jovem, tudo isso era Alain Resnais.

Alain Resnais permanecerá até ao fim como um cineasta ativo e livre.


César – Melhor filme
1978 César de Melhor Filme - Providence
1981: Nomeado para um César de Melhor Filme Mon oncle d’Amérique
1985: Nomeado para um César de Melhor Filme L’Amour à mort
1987: Nomeado para um César de Melhor Filme - Mélo
1994: César de Melhor Filme - Smoking / No Smoking
1998: César de Melhor Filme - On connaît la chanson
2004: Nomeado para um César de Melhor Filme Pas sur la bouche
2010: Nomeado para um César de Melhor Filme - Les Herbes folles

César – Melhor realizador
1978: César de Melhor Realizador- Providence
1981: Nomeado para o Prémio César de Melhor Realizador - Mon oncle d’Amérique
1985: Nomeado para o Prémio César de Melhor Realizador - L’Amour à mort
1987: Nomeado para o Prémio César de Melhor Realizador - Mélo
1994: César de Melhor Realizador - Smoking / No Smoking
1998: Nomeado para o Prémio César de Melhor Realizador On connaît la chanson
2004: Nomeado para o Prémio César de Melhor Realizador - Pas sur la bouche
2007: Nomeado para o Prémio César de Melhor Realizador - Coeurs