Colecção: PREMIÈRES

Filmes em antestreia absoluta em Portugal, estas obras chegam diretamente dos mais prestigiados festivais internacionais — Cannes, Veneza, Berlim — trazendo ao público português o que de mais recente se faz no cinema francófono e assinadas pelos seus maiores autores.

  • Partir, um Dia

    Partir, um Dia

    Cécile, estrela em ascensão da gastronomia francesa e vencedora do Top Chef, está prestes a concretizar o sonho de abrir o seu próprio restaurante em Paris, quando os seus planos são abruptamente interrompidos pelo ataque cardíaco do pai. De regresso à aldeia onde cresceu, reencontra o ambiente familiar do modesto restaurante de beira de estrada dos pais. Ao reencontrar também um antigo amor de juventude, ressurgem memórias esquecidas que abalam as suas certezas e a sua identidade.

    Filme de abertura do Festival de Cannes, esta comédia musical de Amélie Bonnin é protagonizada pela aclamada cantora e atriz Juliette Armanet, que se estreia no cinema num papel principal. Com Dominique Blanc e François Rollin, o filme entrelaça nostalgia e intimidade, ao som de canções pop.

  • Moi qui t’aimais

    Moi qui t’aimais

    Baseado na história verídica de Simone Signoret e Yves Montand, o último filme de Diane Kurys retrata a intensidade de uma relação que marcou a vida cultural francesa do século XX. 

    Ele, um dos actores e cantores mais célebres da sua geração, ela uma das maiores atrizes do seu tempo. Juntos, formaram um casal lendário, inseparável apesar das tempestades. A vida de Simone foi atravessada pela infidelidade pública de Montand — incluindo o romance com Marilyn Monroe — mas, sem nunca se assumir como vítima, ela reinventou o seu lugar no amor e na vida. Apresentado no último Festival de Cannes, o filme é uma reflexão sobre paixão, fragilidade e fidelidade, revelando a força de um laço que sobreviveu ao desejo e ao sofrimento.

  • O Último Suspiro

    O Último Suspiro

    O novo filme do lendário cineasta Costa-Gavras, faz uma pausa do cinema político, para explorar o tema do fim da vida.

    O filme acompanha o filósofo Fabrice Toussaint (Denis Podalydès), confrontado com uma doença grave, e o médico de cuidados paliativos Augustin Masset (Kad Merad). Em diálogos íntimos e filosóficos, ambos reflexionam sobre a morte, a dignidade e o cuidado final. Com uma abordagem sensível e honesta, o filme desafia tabus e celebra a dignidade humana até ao último momento da existência. Costa-Gavras, agora com 92 anos, oferece um olhar vulnerável e emotivo sobre o que significa morrer — reafirmando o seu cinema como um espaço de reflexão ética e empatia.

  • Alpha

    Alpha

    Depois da Palma de Ouro em 2021 com Titane, Julia Ducournau regressa à Competição de Cannes com Alpha, um filme mais íntimo mas fiel às suas obsessões autorais. 

    Alpha, uma rapariga de 13 anos, vive com a mãe e enfrenta as convulsões da adolescência. Uma noite, regressa de uma festa com uma tatuagem — gesto aparentemente banal que desencadeia uma onda de tensão e revela fragilidades ocultas. Situado entre os anos 1980 e 1990, o filme introduz uma epidemia ficcional que evoca a crise da SIDA, funcionando como metáfora do medo e do estigma. Se Ducournau se afasta do horror gráfico que a tornou célebre em Raw e Titane, não deixa de explorar a transformação do corpo e a turbulência emocional da passagem à idade adulta, numa reflexão visceral sobre desejo, identidade e herança materna.

  • Caso 137

    Caso 137

    Apresentado no Festival de Cannes, Caso 137 é um thriller intenso de Dominik Moll que nos faz mergulhar nas dinâmicas ocultas do institucionalismo policial. Léa Drucker interpreta Stéphanie, uma investigadora da Inspeção Interna encarregue de um delicado caso de violência policial, envolvendo uma granada de dispersão que deixou um jovem gravemente ferido durante um protesto dos Coletes Amarelos. À medida que aprofunda a investigação, Stéphanie enfrenta crescentes pressões hierárquicas, sendo forçada a confrontar os limites das suas próprias convicções. Dossier 137 oferece um olhar acutilante e sem concessões sobre as falhas sistémicas e a ambiguidade moral das forças de segurança

  • L’inconnu de la grande arche

    L’inconnu de la grande arche

    Estreado no Festival de Cannes e baseado no romance “La Grande Arche”, de Laurence Cossé, o filme segue Johan Otto von Spreckelsen, um desconhecido arquiteto dinamarquês, que surpreende o mundo ao vencer um concurso internacional lançado pelo presidente François Mitterrand para projetar um edifício emblemático entre o Louvre e o Arco do Triunfo. Com a participação especial de Xavier Dolan, o filme é uma das obras mais comoventes do ano, destacando-se pela forma como Stéphane Demoustier retrata a tensão entre a visão artística e as pressões políticas, oferecendo uma reflexão profunda sobre o idealismo, a ambição e os sacrifícios envolvidos na criação de um ícone arquitetónico.

  • As Cores do Tempo

    As Cores do Tempo

    Em 2025, uma família descobre que herdou uma casa abandonada há décadas. Quatro primos são encarregados de avaliá-la, mas a tarefa transforma-se numa viagem inesperada quando encontram vestígios de Adèle, uma antepassada que, em 1895, com apenas 20 anos, deixou a Normandia rumo a Paris em plena efervescência cultural e industrial. 

    Entre duas épocas — 2025 e 1895 —, o filme reflete sobre identidade, memória e herança, conduzindo os protagonistas a questionar o seu lugar no mundo. Com a leveza narrativa e o olhar humanista característicos de Cédric Klapisch, La Venue de l’Avenir estreou no Festival de Cannes, aplaudido pela forma como cruza intimidade familiar, história coletiva e um olhar poético sobre o futuro nascido do passado.

  • L’Attachement

    L’Attachement

    L’Attachement, de Carine Tardieu, é uma reflexão delicada sobre a forma como os laços familiares se criam para além das convenções e do sangue. Quando Sandra, uma livreira feminista e sem filhos, se vê envolvida no quotidiano do vizinho enlutado e das suas crianças, descobre diferentes formas de construir vínculos familiares. Inspirado no romance “L’intimité”, de Alice Ferney, o filme, estreado na secção Orizzonti do Festival de Veneza, destaca-se pela sensibilidade com que retrata a perda, a reconstrução emocional e a possibilidade de reinventar a ideia de família.

  • A Mulher mais Rica do Mundo

    A Mulher mais Rica do Mundo

    Apresentado fora de competição no Festival de Cannes, o novo filme de Thierry Klifa inspira-se livremente na figura real de Françoise Bettencourt-Meyers, herdeira do império L’Oréal, para construir uma tragédia familiar contemporânea marcada por poder, segredos e vingança. 

    No centro, a mulher mais rica do mundo (Isabelle Huppert), um fotógrafo ambicioso e insolente (Laurent Lafitte), um mordomo vigilante e uma teia de intrigas onde se cruzam paixões, traições e doações astronómicas.  Oscilando entre thriller psicológico e drama burguês, o filme mergulha nas zonas sombrias da memória coletiva francesa, evocando o papel de certas famílias industriais católicas cuja ascensão se construiu também graças à colaboração com a Alemanha nazi. Uma narrativa intensa, onde as personagens se revelam simultaneamente monstruosas e infantis.