
Homenagem a Brigitte Bardot
A 27.ª Festa do Cinema Francês associa-se ainda à retrospetiva dedicada a Brigitte Bardot apresentada pela Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema. Atriz cuja carreira atravessou algumas das grandes transformações do cinema francês dos anos 50 e 60, Bardot trabalhou com realizadores tão distintos como Roger Vadim, Louis Malle, Jean-Luc Godard ou Henri-Georges Clouzot, protagonizando comédias, dramas, filmes de aventura, a sua presença no ecrã tornou-se inseparável de uma época, mas a sua filmografia revela uma atriz muito mais diversa do que a imagem de sex-symbol que o seu enorme sucesso internacional ajudou a fixar.
A partir de 1 de outubro, serão exibidos quase vinte filmes que percorrem diferentes momentos da sua carreira e revelam a diversidade dos realizadores, géneros e personagens que marcaram o seu percurso. Entre os títulos em destaque está Et Dieu… créa la femme, realizado por Roger Vadim, então marido de Bardot. Estreado em 1956, foi o filme que a lançou definitivamente como estrela internacional e transformou Saint-Tropez num destino mítico. Em Vie privée, de Louis Malle (1962), Bardot interpreta uma personagem ficcional profundamente inspirada na sua própria experiência, num retrato da fama e da perseguição incessante dos paparazzi. Em Le Mépris (1963), uma das grandes obras de Jean-Luc Godard, o realizador joga precisamente com essa imagem pública: na extraordinária arquitectura da Casa Malaparte, Bardot torna-se simultaneamente mulher, atriz, objeto de desejo e imagem cinematográfica, num filme que questiona o próprio ato de transformar uma pessoa numa imagem. Finalmente, Viva Maria! (1965), de Louis Malle, coloca-a ao lado de Jeanne Moreau, outra das grandes atrizes do cinema francês e, de certa forma, a sua antítese, numa exuberante comédia aventurosa em forma de um western passado numa América Latina imaginária.
Entre o cinema popular e a modernidade autoral, entre a comédia e o drama, O Lado BB percorre uma filmografia que permite reencontrar a atriz para lá do mito e perceber por que razão Brigitte Bardot continua a ocupar um lugar tão singular na história do cinema.