
La Belle Époque: filmes que resistem ao tempo
Na secção La Belle Époque, a Festa regressa a obras que continuam a encontrar novos espectadores e a demonstrar a sua capacidade de atravessar gerações.
Entre os títulos apresentados estão Delicatessen, de Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro, uma obra que revelou um universo visual e narrativo singular, entre o humor negro, o absurdo e a fantasia. Situado numa cidade pós-apocalíptica onde a comida escasseia, o filme tornou-se uma obra de culto e será apresentado em diálogo com a estreia do mais recente filme de Jean-Pierre Jeunet, A Breve Vida das Flores, na secção Premières.
Também situado num espaço urbano, mas marcado pela tensão social, O Ódio acompanha uma noite de confrontos entre jovens de um bairro periférico e a polícia. Vencedor do Prémio de Melhor Realização em Cannes em 1995, o filme de Mathieu Kassovitz tornou-se uma referência incontornável do cinema francês e continua a ser revisitado pelo modo como representa desigualdade, violência e exclusão social.
Marca-se também o 30.º aniversário de Microcosmos, um filme fundamental na renovação do cinema documental sobre a natureza e que, três décadas depois, continua a surpreender pela sua modernidade. Realizado pelos biólogos Claude Nuridsany e Marie Pérennou, o filme revolucionou a representação do mundo natural ao aproximar a câmara dos mais pequenos seres e transformar a vida dos insetos e outros habitantes dos campos numa experiência cinematográfica de escala épica, simultaneamente realista, surreal e hipnótica. Com a música inesquecível de Bruno Coulais que conduz esta viagem, o filme foi distinguido com cinco Césares e foi visto por mais de 3,5 milhões de espectadores em França.


