Enzo, de 16 anos, desafia as expectativas da família burguesa ao iniciar um estágio em alvenaria, afastando-se do futuro prestigioso que lhe tinham idealizado. Na sua elegante vivenda no sol do sul de França, as tensões crescem com perguntas e pressões sobre o seu destino e sonhos. Nos estaleiros, Vlad, um carismático colega ucraniano, transforma o mundo de Enzo e abre portas a possibilidades inesperadas. Último filme de Laurent Cantet (Palma de Ouro por Entre les murs), concluído pelo amigo Robin Campillo (120 Batimentos por Segundo), é uma história solar sobre amizade, descoberta e os jovens moldados pela atualidade do seu país.
País: França
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Chien 51
Chien 51, de Cédric Jimenez, encerrou com grande força a 82.ª edição do Festival de Veneza. Este thriller distópico, situado num futuro próximo em Paris, acompanha uma trama de tensão social, justiça preditiva e conflito humano. Liderado por Adèle Exarchopoulos e Gilles Lellouche, com participações de Louis Garrel, Romain Duris e Valeria Bruni Tedeschi, o filme desafia-nos a refletir sobre os limites da tecnologia. Uma obra electrizante e atual, que equilibra ação e reflexão, combinando suspense, profundidade humana e relevância contemporânea.
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La petite dernière
Fatima, de dezassete anos e a mais nova de três filhas numa família franco-argelina, inicia a universidade em Paris, entrando num mundo de novas amizades, romances e descoberta de si própria. À medida que explora a sua atração por mulheres, confronta-se com um dilema intemporal: como permanecer fiel a si própria enquanto reconcilia diferentes facetas da sua identidade. Adaptado do romance de estreia de Fatima Daas, La Petite Dernière é um retrato penetrante e parcialmente autobiográfico de uma jovem a navegar pelo desejo, pela lealdade familiar e pela busca de pertença. Interpretada por Nadia Melliti — descoberta pela realizadora numa manifestação —, a atriz recebeu o Prémio de Interpretação em Cannes e é já apontada como a grande revelação de 2025.
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Vida Privada
Apresentado fora de competição no Festival de Cannes, Vie privée concretiza um sonho antigo de Rebecca Zlotowski: dirigir Jodie Foster.
A atriz interpreta Lilian Steiner, uma psicanalista de renome que vê a sua vida abalada pelo desaparecimento misterioso de uma paciente. Convencida de que se trata de um homicídio, Lilian inicia uma investigação pessoal, ajudada pelo ex-marido, expondo as suas próprias fragilidades e limites éticos. Entre o riso e a melancolia, Zlotowski constrói uma “screwball comedy” singular — nas palavras de Thierry Frémaux — que oscila entre o humor e a exploração das zonas cinzentas da alma humana. Um retrato paradoxal, onde uma terapeuta em lágrimas acaba por escutar a sua paciente de forma inesperada.
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Lumière – A Aventura Continua!
Um filme composto e comentado por Thierry Fremaux
Em 1895, Louis e August Lumière inventam o cinematógrafo e filmam alguns dos primeiros filmes na história do cinema. Com a descoberta da mise-en-scène, dos travellings e ainda dos efeitos especiais e remakes, também inventaram o cinema enquanto arte. Dos seus mais de 1400 filmes, Thierry Frémaux, director do Festival de Cinema de Cannes e do Instituto Lumière, seleccionou 108: obras de arte mundialmente conhecidas ou descobertas de filmes antes desconhecidos, recuperados em 4K e reunidos para celebrar o legado dos Lumière. -

Nouvelle Vague
Nouvelle Vague é uma irreverente declaração de amor ao icónico O Acossado, de Jean-Luc Godard, e ao espírito revolucionário de uma geração. Com ousadia e leveza, Richard Linklater (Boyhood, Before) recria a génese do filme e aquele verão inesquecível de 1959, em que Paris se tornou palco de uma revolução estética. Mais do que revisitar um clássico, o realizador evoca a energia da Nouvelle Vague, esbatendo as fronteiras entre realidade e ficção, tributo e reinvenção. Um objeto cinematográfico livre e pulsante, que celebra a arte de fazer cinema e os jovens cineastas que ousaram reinventar tudo, plano a plano, sem medo e sem fôlego.
Estreia nas salas de cinema a 18 de dezembro.

