País: França

  • O Segundo Acto

    O Segundo Acto

    Estreado em Cannes, O Segundo Ato, de Quentin Dupieux, é uma comédia meta-referencial que brinca com as convenções narrativas e com a própria arte de filmar. No “filme dentro do filme”, Florence quer apresentar ao pai, Guillaume, o homem por quem está apaixonada: David. Só que David não corresponde aos seus sentimentos e planeia emparelhá-la com o amigo Willy. Os quatro acabam num restaurante perdido no meio de nenhures, onde a trama avança entre equívocos e tensões. Mas a verdadeira ação acontece quando os atores interrompem a ficção, falam diretamente com o público e questionam a própria realidade. Com um elenco de luxo, Dupieux constrói uma sátira mordaz sobre cinema, ilusão e desejo.

  • Como Matar e Ganhar

    Como Matar e Ganhar

    Inspirado em factos reais, este filme combina humor negro e suspense para retratar um casal à deriva. Michel e Cathy, desgastados pelo tempo e pelas dificuldades financeiras, quase já não se falam. Mas tudo muda quando Michel, ao desviar-se de um urso na estrada, provoca um acidente fatal que deixa dois mortos e, inesperadamente, dois milhões em notas usadas no porta-bagagens. Entre o choque, a tentação e o silêncio cúmplice, renasce um diálogo improvável, onde cada palavra e cada gesto podem significar redenção ou condenação. Uma comédia sombria sobre a moral, o acaso e o preço do silêncio.

  • O Processo do Cão

    O Processo do Cão

    Estreada na secção Un Certain Regard do Festival de Cannes 2024, esta comédia dramática assinada e protagonizada por Laetitia Dosch inspira-se em factos verídicos para construir uma fábula jurídica tão absurda quanto atual. Avril Lucciani, advogada habituada a perder, decide que a sua próxima causa tem de ser uma vitória. Mas quando Dariuch lhe pede que defenda Cosmos, o seu cão acusado de múltiplas mordidelas, Avril vê-se incapaz de recusar. O que começa como um caso insólito transforma-se num julgamento tão improvável quanto turbulento: o processo de um animal em pleno século XXI, numa Suíça onde tais práticas pareciam ter ficado esquecidas desde a Idade Média

  • O Clã dos Sicilianos

    O Clã dos Sicilianos


    É tido como um filme de culto do cinema popular francês dos anos 1960, uma grande produção rodada em francês e inglês. No rasto de MÉLODIE EN SOUS-SOL, Gabin e Delon voltam a juntar-se em LE CLAN DES SICILIENS para um grande assalto, mas desta vez Gabin é um patriarca da máfia e Delon um ambicioso gangster em ascensão, que acaba por se apaixonar pela filha daquele. São combatidos por um polícia implacável, representado pelo grande “duro” do cinema francês, Lino Ventura. O trio de atores juntou-se no cinema desta única vez. A música é de Ennio Morricone, Dalida interpreta a canção do título.

    Fonte: Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema

  • O Assalto ao Casino

    O Assalto ao Casino


    Após o “ciclo italiano” com Visconti e Antonioni, Alain Delon volta à origem policial da sua filmografia no primeiro dos dois filmes de Henri Verneuil em que contracena com Jean Gabin – voltam a juntar-se em LE CLAN DES SICILIENS (1969). A partir do romance de John Trinian, MÉLODIE EN SOUS-SOL joga com a energia da dupla nos papéis veterano e jovem de dois criminosos que se agrupam para um assalto ao casino de Cannes. Numa entrevista televisiva de 1963, Verneuil falou de Delon como uma escolha perfeita, “Precisávamos de um tipo encantador com um lado escroque, um lado violento”; Delon, elogiou Gabin como um ator maior, com quem aprendeu muito, “Ensinou-me sobretudo a ser preciso”. Sobre ser seu o papel principal: “Não me parece. E sejam quais forem os papéis e os resultados, damos sempre a deixa a Gabin.” De Gabin, conhece-se a apreciação: “Delon tem garra mas não só, é um autêntico profissional.”

    Fonte: Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema

  • Les Cent Et Une Nuits de Simon Cinéma

    Les Cent Et Une Nuits de Simon Cinéma


    Realizado a propósito do centenário da primeira sessão de cinema, Agnès Varda presta uma extraordinária homenagem ao cinema num filme pleno de humor e de imaginação. Conta-nos a história de Simon Cinéma (Michel Piccoli), ex-ator, produtor e realizador, que acredita concentrar em si todo o cinema. O velho Simon, já com quase 100 anos, está a perder a memória. Para o ajudar a reavivar o seu passado contrata uma especialista que organiza uma maravilhosa impostura. Um filme com um elenco do outro mundo, que vai de Anouk Aimée a Gina Lollobrigida, de Jean-Paul Belmondo a Robert De Niro, de Catherine Deneuve a Jean-Pierre Léaud (entre muitas, muitas outras estrelas).

    Fonte: Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema

  • Outono Escaldante

    Outono Escaldante


    Entre o realismo dos seus primeiros filmes (LE RAGAZZE DI SAN FREDIANO) e o romantismo de LA RAGAZZA CON LA VALIGIA, Valerio Zurlini tem em LA PRIMA NOTTE DI QUIETE uma das suas obras mais singulares, misturando a descrição verista da vida e do vazio nas pequenas cidades (à maneira de I VITELLONI, de Fellini) com a crónica romântica da paixão de um professor por uma aluna, que terá consequências trágicas. O professor de literatura e jogador inveterado que chega em crise existencial a Rimini, num inverno nublado, é interpretado por Alain Delon noutro dos seus grandes papéis, à luz da sensibilidade de Zurlini. Também deste filme Delon foi (co)produtor, impondo cortes na versão francesa de época – chamada LE PROFESSEUR, sem a carga poética do título original inspirado em Goethe, foi uma versão amputada durante anos, numa mutilação sobre a qual Delon viria a declarar arrependimento.

    Fonte: Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema

  • A Piscina

    A Piscina


    Alain Delon e Maurice Ronet voltam a encontrar- se, nove anos depois de PLEIN SOLEIL, em papéis que se aproximam, mas esse é apenas um dos desdobramentos do filme escrito por Jean-Claude Carrière, e produzido por Delon, que oferece a Romy Schneider, num momento de ocaso, o papel de resgate para a ribalta. O casal das personagens de Delon e Schneider, reincidente em THE ASSASSINATION OF TROTSKY de Joseph Losey (1971), rimava com o que veridicamente haviam formado após o primeiro encontro no cinema (CHRISTINE, 1958). A química e a cumplicidade do par são um polo magnético do filme que atraiu uma imensa popularidade. Jacques Deray constrói de forma notável a progressão da calma para a tensão que marca o filme, com epicentro na piscina – “É antes de mais uma história de amor, de um amor em estado de crise. Tínhamos dois casais: um amante-amante, o outro pai-filha. Durante três dias, jogam o jogo do amor e da mentira. E esse jogo conduz a um homicídio.” (Jacques Deray)

    Fonte: Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema