País: França

  • A Coragem de Um Homem

    A Coragem de Um Homem


    A impressiva filmografia de ator de Alain Delon conta com bifurcações na produção e na realização. Ao longo de perto de trinta títulos, entre 1964 (L’INSOUMIS de Cavalier) e 1990 (DANCING MACHINE de Gilles Béhat), a primeira foi mais precoce e duradoura do que a segunda, circunscrita a dois policiais consecutivos nos anos 1980: POUR LA PEAU D’UN FLIC e LE BATTANT, ambos protagonizados pelo ator e Anne Parillaud em jovens papéis. Há quem argumente que a atriz foi a razão de Delon, querendo dirigi-la, passar à realização. Este primeiro filme é dedicado a J.P.M. (Jean-Pierre Melville), um tributo ao film noir no encalço da história de um antigo polícia que, como detetive privado, é contratado para encontrar uma rapariga cega misteriosamente desaparecida e dá por si no centro de um enredo razoavelmente intrincado. Diz-se que é a “adaptação-traição” de um romance de Jean-Patrick Machette.  Primeira apresentação na Cinemateca.

    Fonte: Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema

  • A Rapariga de Motocicleta

    A Rapariga de Motocicleta


    Protagonizado por Marianne Faithful e Alain Delon, o filme com realização e fotografia de Jack Cardiff é um drama erótico crivado de flashbacks e clarões psicadélicos. É o que revive a personagem de uma mulher recém-casada que lembra o duplo relacionamento com o marido e o amante. Tudo durante uma viagem motorizada numa potente Harley-Davidson, da Alsácia francesa para Heidelberg, na Alemanha, onde vive o enigmático amante interpretado por Delon. Em francês, o filme ficou conhecido como LA MOTOCYCLETTE; nos EUA foi distribuído “para adultos” como NAKED UNDER LEATHER, a reboque do fato de cabedal preto colado ao corpo de Faithful. Tratando de liberdade e desejo, com uma mulher a conduzir uma máquina associada ao imaginário masculino da época, tornou-se um título de culto dos anos 1960. Primeira apresentação na Cinemateca.

    Fonte: Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema

  • O Indomável

    O Indomável


    Obra polémica interdita em território francês durante algum tempo, L’INSOUMIS é o terceiro filme de Cavalier e um regresso a questões do inicial LE COMBAT DANS L’ÎLE, tratando a Guerra da Argélia com mais clareza e complexidade. Coproduzido e protagonizado por Alain Delon, apresenta-o no papel do “anti-herói” contraditório e desiludido do desertor da Legião Francesa na Argélia que salva de sequestro a advogada de defesa de dois revolucionários argelinos interpretada por Léa Massari. A fotografia é de Claude Renoir, o som de Antoine Bonfanti, a direção artística de Bernard Evein, a música de Georges Delerue, todos eles próximos da Nouvelle Vague. “L’INSOUMIS não é um filme político, mas a política é um fenómeno que intervém na vida dos seres: essa relação interessa-me.” (Alain Cavalier)

    Fonte: Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema

  • À Luz do Sol

    À Luz do Sol


    Adaptação livre de O Talentoso Mr. Ripley de Patricia Highsmith (1955), o melhor filme de René Clément, com uma magnífica fotografia a cores de Henri Decae, é um dos melhores desempenhos de Alain Delon, no seu primeiro papel importante. A ação passa-se em Itália, e o jovem Delon interpreta a figura de Tom Ripley, que assassina um amigo, numa sequência magistral, e assume a sua identidade. Delon sulfuroso como raramente se viu. Foi o ator quem convenceu o realizador a dar-lhe o papel principal do filme, que o “internacionalizou”. “A personagem de PLEIN SOLEIL não é fácil de interpretar. Será que existe, a inocência criminal? Delon deve, no crime que comete, preservar essa pureza isenta de julgamento por relevar de uma psicologia que, escapando à norma da humanidade, nos escapa.” (René Clément)

    Fonte: Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema

  • Quand la femme s’en mêle

    Quand la femme s’en mêle

    No filme de estreia, o nome de Alain Delon ocupa uma modesta posição dos créditos.

    Trata-se do policial com argumento de Charles Spaak a partir de Sans attendre Godod, de Jean Amila (Série noire no 310, 1956), em que Yves Allégret o dirige no papel de assassino, um sedutor disponível para um final trágico (características reconhecíveis de prestações futuras). O que desde logo irradia é a qualidade de estrela, a sensualidade, a juventude profunda, o namoro da câmara. Delon é comparado a James Dean e interpreta papéis românticos até ao primeiro grande desempenho, em Plein Soleil. Nanoite de Paris e de matriz “noir”, Quand la femme d’en mêle encena a rivalidade de dois chefes de bandidos.

    Fonte: Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema

  • Três Amigas

    Três Amigas

    Estreado no Festival de Veneza, este retrato íntimo acompanha três mulheres que encaram o amor de formas radicalmente diferentes. Joan, já sem sentimentos pelo companheiro Victor, decide deixá-lo apesar da filha em comum. Alice, a melhor amiga, defende um casamento de razão, baseado na ternura e na serenidade, em vez da paixão. Rebecca, por sua vez, acredita no amor como aventura e vive um romance secreto com o companheiro de Alice. Entre desejos, convicções e contradições, as três revelam escolhas pessoais que questionam convenções sociais e levantam dilemas universais sobre liberdade, afeto e a eterna busca pela felicidade.

  • Misericórdia

    Misericórdia

    Estreado no Festival de Cannes e distinguido com o Prémio Louis Delluc, Misericórdia, de Alain Guiraudie, é um thriller sobre religião, moralidade e desejos reprimidos. Jérémie regressa à sua aldeia natal para o funeral do antigo patrão, o padeiro local, e decide prolongar a estadia junto de Martine, a viúva. Mas o que começa como um regresso tranquilo transforma-se rapidamente num labirinto de tensões e segredos: um desaparecimento inexplicável, um vizinho de comportamento ameaçador e um padre de intenções dúbias arrastam Jérémie para um território incerto, onde fé, medo e desejo colidem de forma perturbadora

  • Journal d’un combat

    Journal d’un combat

    Le Journal d’un combat é um retrato sensível e poético do pintor Francis Savel, filmado por Guy Gilles no seu atelier em Montmartre. Através de uma série de planos que capturam o processo criativo — desde a tela em branco até à chegada da cor — o filme revela a luta íntima do artista com a sua obra. A narração de Alain Delon confere uma dimensão lírica ao trabalho, enquanto a música de Jacques Loussier acrescenta uma camada de sofisticação. Filmado em 1964, este curta-metragem de 18 minutos é uma reflexão sobre a criação artística e a busca pela identidade.

    Fonte: Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema

  • Nouvelle Vague

    Nouvelle Vague


    NOUVELLE VAGUE é uma das obras-primas absolutas de Jean-Luc Godard, magistral teia de corpos e formas, cores e sons, textos e vozes. Alain Delon é filmado como nunca ninguém o filmou numa história de eterno retorno: de palavras, de seres, de sentimentos. “História eterna da história que se repete. A história das mulheres apaixonadas e dos homens solitários (…) A história do indivíduo condenado a ser múltiplo” (Jean-Luc Douin). A abrir a sessão, a curta-metragem LE MUSÉE DU CINÉMA HENRI LANGLOIS (de Jacques Richard, que em 2004 realiza a longa documental LE FANTÔME D’HENRI LANGOIS) apresenta imagens do museu do cinema parisiense comentadas por um texto lido por Alain Delon em homenagem ao museu destruído por um incêndio. Foi na Cinemateca Francesa de Henri Langlois, lembre-se, que Alain Delon teve uma primeira retrospetiva de ator em 1964, mantendo com o histórico diretor uma relação de lealdade que ultrapassou os anos 1960. O primeiro título é mostrado pela primeira vez na Cinemateca.

    Fonte: Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema