País: França

  • L’Engloutie

    L’Engloutie

    No seu aclamado primeiro filme de ficção, Louise Hémon transporta-nos para os Hautes-Alpes de 1899. Aimée (Galatea Bellugi), uma jovem professora de primária republicana, chega a uma remota aldeia montanhosa com os seus ideais laicos. Contra uma comunidade isolada, desconfiada e presa a tradições ancestrais, Aimée enfrenta uma luta de mentalidades, marcada pela carga sexual intensa que emana da sua presença, que adensa as tensões e torna o confronto ainda mais inevitável.

    A narrativa, evocativa do género western, gradualmente mergulha num sensual e perturbador imaginário de horror, onde os sentidos se aguçam e as fronteiras entre a razão e o sobrenatural se desvanecem. Inspirado pelas histórias de antepassados da realizadora, este trabalho pessoal e enigmático, com tons de realismo mágico, estreou na Quinzaine des Réalisateurs do Festival de Cannes.

  • Love me Tender

    Love me Tender

    No seu segundo filme, Anna Cazenave Cambet embarca na adaptação do romance “Love Me Tender” de Constance Debré criando um poderoso retrato sobre amor maternal, descoberta sexual e violência patriarcal.

    Num verão decisivo, Clémence confessa ao ex-marido que mantém relações com mulheres. A revelação desencadeia uma reação devastadora: ele retira-lhe a custódia do filho, mergulhando-a numa espiral de perda e desespero. Determinada a reconquistar a sua liberdade e o direito de ser mãe, Clémence vê-se obrigada a enfrentar não só um sistema judicial implacável, mas também os seus próprios fantasmas, numa luta tão íntima quanto universal. Selecionado para a secção Un Certain Regard do Festival de Cannes.

  • Caso 137

    Caso 137

    Apresentado no Festival de Cannes, Caso 137 é um thriller intenso de Dominik Moll que nos faz mergulhar nas dinâmicas ocultas do institucionalismo policial. Léa Drucker interpreta Stéphanie, uma investigadora da Inspeção Interna encarregue de um delicado caso de violência policial, envolvendo uma granada de dispersão que deixou um jovem gravemente ferido durante um protesto dos Coletes Amarelos. À medida que aprofunda a investigação, Stéphanie enfrenta crescentes pressões hierárquicas, sendo forçada a confrontar os limites das suas próprias convicções. Dossier 137 oferece um olhar acutilante e sem concessões sobre as falhas sistémicas e a ambiguidade moral das forças de segurança

  • L’inconnu de la grande arche

    L’inconnu de la grande arche

    Estreado no Festival de Cannes e baseado no romance “La Grande Arche”, de Laurence Cossé, o filme segue Johan Otto von Spreckelsen, um desconhecido arquiteto dinamarquês, que surpreende o mundo ao vencer um concurso internacional lançado pelo presidente François Mitterrand para projetar um edifício emblemático entre o Louvre e o Arco do Triunfo. Com a participação especial de Xavier Dolan, o filme é uma das obras mais comoventes do ano, destacando-se pela forma como Stéphane Demoustier retrata a tensão entre a visão artística e as pressões políticas, oferecendo uma reflexão profunda sobre o idealismo, a ambição e os sacrifícios envolvidos na criação de um ícone arquitetónico.

  • As Cores do Tempo

    As Cores do Tempo

    Em 2025, uma família descobre que herdou uma casa abandonada há décadas. Quatro primos são encarregados de avaliá-la, mas a tarefa transforma-se numa viagem inesperada quando encontram vestígios de Adèle, uma antepassada que, em 1895, com apenas 20 anos, deixou a Normandia rumo a Paris em plena efervescência cultural e industrial. 

    Entre duas épocas — 2025 e 1895 —, o filme reflete sobre identidade, memória e herança, conduzindo os protagonistas a questionar o seu lugar no mundo. Com a leveza narrativa e o olhar humanista característicos de Cédric Klapisch, La Venue de l’Avenir estreou no Festival de Cannes, aplaudido pela forma como cruza intimidade familiar, história coletiva e um olhar poético sobre o futuro nascido do passado.

  • Le Rendez-Vous de L’étè

    Le Rendez-Vous de L’étè

    França, agosto de 2024. Os Jogos Olímpicos decorrem em pleno e Blandine, de trinta anos, chega a Paris para assistir às competições de natação. A verdadeira missão, porém, é reencontrar uma meia-irmã que não vê há uma década e conhecer a sua jovem sobrinha. Proveniente de uma vida tranquila na Normandia, Blandine depara-se com o frenesim de uma cidade transformada pelo evento. À medida que os dias passam, perde-se, hesita, reconecta fios do passado e tece novos, acabando por reencontrar-se. 

    Num registo sensível que evoca os contos de verão de Rohmer, a realizadora Valentine Cadic oferece um retrato intimista e desarmante de uma mulher à procura do seu lugar, contrastando a grandiosidade olímpica com uma discreta e delicada viagem pessoal. 

  • O Fabuloso Destino de Amélie

    O Fabuloso Destino de Amélie

    Amélie Poulain é uma jovem empregada de mesa que vive em Montmartre e prefere o refúgio do seu mundo imaginativo à realidade que a rodeia. Um dia, por acaso, decide dedicar-se a uma missão secreta: transformar a vida das pessoas à sua volta através de pequenos gestos que espalhem felicidade. Nesta fábula moderna, entre o realismo poético e a fantasia, Amélie cruza-se com personagens excêntricas, embarca numa aventura íntima de generosidade e, inesperadamente, encontra o amor. Realizado por Jean-Pierre Jeunet e com a encantadora Audrey Tautou, este é um dos maiores êxitos do cinema francês contemporâneo — um conto encantado sobre bondade, imaginação e coragem para viver fora das sombras.

  • L’Attachement

    L’Attachement

    L’Attachement, de Carine Tardieu, é uma reflexão delicada sobre a forma como os laços familiares se criam para além das convenções e do sangue. Quando Sandra, uma livreira feminista e sem filhos, se vê envolvida no quotidiano do vizinho enlutado e das suas crianças, descobre diferentes formas de construir vínculos familiares. Inspirado no romance “L’intimité”, de Alice Ferney, o filme, estreado na secção Orizzonti do Festival de Veneza, destaca-se pela sensibilidade com que retrata a perda, a reconstrução emocional e a possibilidade de reinventar a ideia de família.

  • A Mulher mais Rica do Mundo

    A Mulher mais Rica do Mundo

    Apresentado fora de competição no Festival de Cannes, o novo filme de Thierry Klifa inspira-se livremente na figura real de Françoise Bettencourt-Meyers, herdeira do império L’Oréal, para construir uma tragédia familiar contemporânea marcada por poder, segredos e vingança. 

    No centro, a mulher mais rica do mundo (Isabelle Huppert), um fotógrafo ambicioso e insolente (Laurent Lafitte), um mordomo vigilante e uma teia de intrigas onde se cruzam paixões, traições e doações astronómicas.  Oscilando entre thriller psicológico e drama burguês, o filme mergulha nas zonas sombrias da memória coletiva francesa, evocando o papel de certas famílias industriais católicas cuja ascensão se construiu também graças à colaboração com a Alemanha nazi. Uma narrativa intensa, onde as personagens se revelam simultaneamente monstruosas e infantis.